Assunto: Conselho Federal de Medicina, CREMESP
Transamérica SP
Notícias
25/09/2026 - 10:51:30


Eu fico pensando, viu, Fernanda Câmara, você que nos acompanha também, as plataformas hoje ainda conseguem, por meio dos algoritmos, verificar e perceber quando há ali uma inteligência artificial sendo colocada em prática, ainda que nós não consigamos perceber. Agora, da forma como isso está sendo desenvolvido, como a IA está, enfim, avançando, em pouquíssimo tempo vai ser realmente muito difícil a gente conseguir analisar e apontar. Não, peraí, isso aqui é IA. Não, peraí, isso aqui não é inteligência artificial. Vai ser complicado. Então, realmente, é um tema que a gente vai ficar em cima aqui na TMC, porque o futuro está aí, está logo aí. Até vídeos com pessoas que já se foram, vídeos de inteligência artificial, são tão bem feitos, né? A gente fala, olha só que criatividade, fica tão perfeitinho, que dirá, né, lógico, aí eles fazem isso para prestar uma homenagem, enfim. Mas é tão perfeito que dá para se criar mesmo imagens, inclusive com gente conhecida, que aí a pessoa muitas vezes não desconfia, né? Exato. E a gente vai continuar nesse assunto, porque agora nós vamos entender melhor os impactos desse tipo de conteúdo na saúde das pessoas. Até porque quando a pessoa se vê ali enganada, ela tem um abalo, mas não é só disso que a gente vai falar agora. Nós vamos conversar com o conselheiro do Cremesp, Elzo Garcia Júnior, que já está aqui com a gente. Bom dia e obrigada por participar conosco desse assunto tão importante. E eu já te pergunto quais são os principais riscos de seguir orientações de saúde divulgadas por falsos médicos criados por inteligência artificial, porque muitas vezes a pessoa não desconfia, então não denuncia e segue essas orientações. Fernando, obrigado pelo convite. Oi? Vocês me ouvem? Sim, pode continuar. Perfeitamente. Desculpa. Então, é assim, olha, os riscos são enormes, na verdade. Como as redes sociais têm grande alcance, isso tem impactado muito na situação de modo geral. Então, a gente tem que tomar muito cuidado, não dá para nenhum procedimento ou nenhuma medicação que a gente não tenha certeza daquilo que a gente está usando. Se realmente aquilo tem liberação, então tem vários canais que dá para ir atrás, dá para ir atrás da Anvisa, da Vigilância Sanitária. Então, se aquela medicação, se aquele procedimento, ele está liberado, se ele é baseado em evidência. Além do profissional, a gente vê muitas vezes criado, até artistas criados através da inteligência artificial, ou pseudo-médicos. Então, a gente tem o site do Conselho Regional de Medicina aqui em São Paulo, ou o Conselho Federal de Medicina, onde tem, na maioria das vezes, toda a descrição do médico. Então, se está tudo certo. Então, a gente precisa checar as informações. Primeiro, é um profissional da saúde, é um médico, que está dizendo que quem prescreve, obrigatoriamente, tem que ser médico. Então, ele é médico, ele tem CRM, ele está no Conselho Regional de Medicina. E se as medicações, porque às vezes também é médico, mas também é uma medicação ou é um procedimento que não está estabelecido. Então, a gente precisa ver se a medicação está registrada, se o procedimento também faz parte de algum protocolo. E isso é fácil de fazer, Elzo? Porque às vezes, o leigo, a pessoa que não está ali acostumada com esse tipo de contato, é fácil dela verificar essas informações? Em relação ao médico, é só entrar no Conselho Regional de Medicina, na internet, e você vê, demora dois minutos. Poucos cliques, você já vai saber, entendeu? E em relação às medicações, se você entrar também no próprio site da Anvisa, ou da própria vigilância da cidade, você vai conseguir saber também, entendeu? Então, ele é muito tranquilo e muito prático de se ver. Por exemplo, se a pessoa cair num vídeo falso, de um falso médico, isso pode levar essa pessoa a atrasar um diagnóstico, abandonar um tratamento correto, por exemplo. Se isso acontecer e depois a pessoa descobrir, quais direitos dela, o que ela procura, como se sair dessa situação? É verdade, Fernanda. Aí vai precisar ir atrás da justiça, na verdade. Porque daí nós, do Conselho Regional de Medicina, a gente consegue, a gente só atuar na parte médica, ou seja, um médico que deu uma má informação, entendeu? Então, ou ele fez, cometeu uma má prática. Daí isso a gente consegue atuar. Mas fora isso, a gente não consegue atuar. Então, no falso médico, o Conselho Regional, todos os conselhos, na verdade, não conseguem atuar. Mas eu acho, Fernanda, que o mais importante é de procurar que não aconteça. Ou seja, se certificar de que essas orientações, elas são verdadeiras. E mesmo se desconfiar, não faça. O que a gente tem muito problema é, muitas vezes, doenças mais raras, ou até doenças oncológicas, vários tipos de câncer, que as pessoas acreditam em tratamentos milagrosos. E abandonam o tratamento tradicional. Isso é um enorme risco para a população brasileira. Enorme. É, até porque existe a telemedicina, mas o ideal é o olho no olho, né? O médico ali falando com o paciente. A telemedicina é quando o próprio médico da pessoa disponibiliza essa ferramenta, esse recurso. Agora, do nada, entrar e acreditar num vídeo que você viu na internet realmente não é recomendável, né? É, e mesmo porque quando você vê um vídeo, o algoritmo vai te mandando outras coisas. Então, é isso que a pessoa acaba acreditando. Porque ela fala, nossa, vi tantos vídeos de pessoas diferentes e está falando isso. Mas não se enganem, não se enganem. Vão atrás das informações. As informações hoje, elas são muito rápidas, como eu disse. Então, é só entrar na internet e em menos de dois minutos você vai saber em relação ao médico, se ele realmente é o médico. Se você prestar atenção, isso acaba acontecendo. E, às vezes, não é só da inteligência artificial quanto pessoas fictícias. Mas, às vezes, são atores também agindo, que hoje atua como médico, amanhã como farmacêutico, depois como biomédico. Então, são coisas que você consegue prestar atenção e você consegue ver. Mas, consulta nos sites que são relacionados em relação ao médico. Vou voltar a repetir. O Conselho Regional de Medicina é muito simples, entendeu? E as medicações, tanto na Anvisa quanto na Vigilância, acaba tendo todos os registros disso. Perfeito. A gente conversou, então, com o Elzo Garcia Júnior, conselheiro do CREMESP. O CREMESP, que é o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Muito obrigado pela entrevista e até a próxima, Elzo. Eu que agradeço o convite. Bom final de semana e até a próxima. 10 horas e 59 minutos.